Pesquisa do Sescon Campinas mostra que falta de clareza sobre as novas regras é o principal obstáculo e que 82,3% das empresas esperam aumento da carga tributária
A Reforma Tributária ainda está longe de ser uma realidade completamente assimilada pelas empresas da área de Campinas. Pesquisa realizada através do Sescon Campinas — Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas — aponta que 96% das empresas consultadas ainda não estão completamente adaptadas ao novo sistema de tributação.
O levantamento foi feito entre julho e agosto deste ano com 113 empresas associadas ao sindicato, cuja base territorial reúne 18 municípios, dentre eles Paulínia, Campinas, Americana, Artur Nogueira, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Itatiba, Indaiatuba, Jaguariúna, Monte Mor, Nova Odessa, Pedreira, Santo Antônio de Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.
Os números mostram que a maior parte das empresas ainda está tentando compreender os impactos da mudança. 60,2% afirmaram que estão estudando os efeitos da Reforma Tributária, enquanto 8,8% sequer iniciaram o processo de adaptação.
Exclusivamente 3,5% disseram estar completamente adaptadas ao novo modelo. Outras 24,8% estão com a implantação em andamento e 2,7% já concluíram o planejamento.
O cenário chama atenção também através do perfil das empresas pesquisadas. 87,6% possuem até 50 colaboradores, o que significa que boa parte dos negócios conta com estruturas mais enxutas para acompanhar as mudanças, revisar processos, capacitar empregados e fazer alterações nos sistemas usados.
Para a presidente do Sescon Campinas, Claudia Di Fonzo, a adaptação não deve ficar restrita ao setor fiscal.
“Uma empresa que ainda não avaliou os impactos da reforma pode descobrir tarde demais que precisa rever preços, contratos, margens e até sua relação com fornecedores”, afirma.
Falta de clareza é o principal obstáculo
Entre os principais desafios apontados na pesquisa, a falta de clareza sobre as novas regras aparece em 1º lugar, citada por 38,9% dos entrevistados.
Na sequência estão o despreparo dos clientes, com 21,2%; a necessidade de capacitação das equipes, com 17,7%; e a falta de tempo, destacada por 15%.
A falta de segurança também aparece quando as empresas avaliam o próprio nível de preparação. Em uma escala de zero a dez, a nota média de confiança para operar sob o novo sistema foi de 5,74.
Segundo Claudia, uma das principais dificuldades está em prever como as mudanças conseguirão afetar preços e margens de lucro.
Sem essa análise, explica, uma empresa pode manter preços que reduzam sua margem ou repassar custos de maneira inadequada e perder competitividade.
Maioria estima aumento da carga tributária
Outro dado que chama atenção é a percepção dos empresários sobre o impacto da reforma no pagamento de impostos.
82,3% dos entrevistados acreditam que a carga tributária necessitará aumentar com o novo modelo.
Já quando o assunto é a promessa de simplificação do sistema, o resultado ficou praticamente dividido. 51,3% acreditam que a tributação ficará mais simples, enquanto 48,7% não esperam uma melhora neste aspecto.
A avaliação mostra que, apesar de a simplificação estar entre os objetivos mostrados para a Reforma Tributária, quase metade das empresas pesquisadas ainda não acredita que essa mudança será percebida de forma clara no dia a dia dos negócios.
Setor de Serviços aparece como o mais impactado
Entre os setores da economia, Serviços foi o segmento destacado como aquele que necessitará sofrer os maiores impactos da Reforma Tributária, com 96 menções na pesquisa.
Também aparecem entre os setores mais citados a Indústria, o Comércio varejista e a Construção civil.
Conforme o Sescon Campinas, a preocupação com o setor de Serviços está relacionada, entre outros fatores, ao peso da mão de obra e à menor possibilidade de geração de créditos tributários em determinadas atividades.
O sindicato ressalta, ainda assim, que os efeitos não serão necessariamente iguais para todas as empresas. Negócios do mesmo segmento podem ter impactos diferentes conforme com a estrutura de custos, o regime tributário adotado e o perfil dos clientes.
Empresário também terá papel importante na transição
A pesquisa reforça ainda a necessidade da participação dos empresários no processo de adaptação.
Embora o contador tenha importante papel na análise dos impactos e na apresentação de cenários, as decisões conseguirão ultrapassar as questões estritamente tributárias. Empresas podem precisar revisar contratos, fornecedores, investimentos, formação de preços e estratégias comerciais.
O Sescon Campinas vem realizando encontros, palestras e capacitações voltados à Reforma Tributária, com o objetivo de preparar profissionais da área contábil e ampliar a direção disponibilizada às empresas durante o momento de transição.
Com atuação em 18 municípios da Área Metropolitana de Campinas e entorno, o sindicato representa empresas de serviços contábeis e de assessoramento, perícias, informações e pesquisas, além de atuar em negociações coletivas e em iniciativas voltadas ao desenvolvimento profissional e tecnológico do setor.
Com informações de Noticias de Paulinia
