Ao contrário de outros processos de independência, observados, por exemplo, na América do Sul, que foram marcados por guerras prolongadas e conflitos sangrentos, a independência brasileira caracterizou-se mais como uma separação negociada do que como um ato de conquista. Embora algumas batalhas tenham ocorrido em território nacional – confrontos na Bahia, Piauí e Pará, regiões com maior presença de tropas leais a Lisboa -, não se configurou uma guerra em larga escala, envolvendo o país como um todo.
Outro aspecto relevante é a famosa cena imortalizada no quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo. A narrativa, na qual Dom Pedro I aparece de forma imponente, erguendo a espada e proferindo o grito de independência, difere da realidade. Na verdade, ele viajava com uma comitiva modesta, montado em uma mula, animal mais ideal para a viagem do que um cavalo. A parada às margens do riacho Ipiranga ocorreu, segundo relatos, devido a problemas intestinais, e não por um motivo de grande solenidade.
É importante também evidenciar a participação da imperatriz Dona Leopoldina, esposa de Dom Pedro I. Mulher de grande cultura, com um conhecimento superior ao do próprio Dom Pedro, e com forte interesse pelas artes e ciências, ela assinou um documento decisivo em 2 de setembro, cinco dias antes da proclamação, oficializando a ruptura com Portugal.
Ademais, existe outras curiosidades a serem mencionadas. O Brasil foi um dos poucos países da América que pagou para que sua independência fosse reconhecida através da metrópole. O valor, previsto em milhões de libras, representou uma quantia considerável.
Outro momento interessante é que, logo depois de a independência, o Brasil adotou a mesma forma de governo de Portugal, a monarquia, enquanto os outros países da América optaram através da República. Essa escolha não foi casual, mas resultado de particularidades de sua trajetória histórica.
Finalmente, a independência brasileira foi declarada por um português, Dom Pedro I, que, depois de a declaração, passou a ser imperador do Brasil. Ou seja, a nação se tornou independente de Portugal, mas passou a ser governada por um português, o herdeiro direto do trono luso. Assim, de certa forma, pode-se interpretar a independência como um processo negociado em família: o filho, instalado no Brasil, rompeu formalmente com a autoridade do pai, que permaneceu em Portugal, mas sem que houvesse um rompimento absoluto entre as duas casas reais.
Artigo do professor de História do Colégio Marista de Brasília, Issan Outeiral, mestre em História Contemporânea através da Universidade de Barcelona
Com informações de Noticias de Paulinia

