Um adolescente de 14 anos foi apreendido por soltar bombas em frente à Escola Municipal Angelo Corassa, no Monte Alegre II, No outro lado da cidade, uma aluna de 11 anos trouxe uma faca para a Escola Estadual Residencial São José para se defender de um suposto ataque a instituição de ensino, enquanto isso aumentam postagens com ameaças similares em redes sociais de novos eventos nas escolas da cidade.
Nos últimos anos, o Brasil tem sido palco de diversos episódios de violência em escolas e creches, em que estudantes ou ex-estudantes cometem ataques que resultaram em mortes e feridos. Em Blumenau (SC), um homem de 25 anos matou quatro crianças em uma creche, enquanto em São Paulo um aluno de 13 anos matou uma pessoa e feriu cinco em sua escola.
Um levantamento da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificou 22 casos de ataques em escolas por alunos ou ex-alunos desde 2002, sendo que 13 ocorreram nos últimos dois anos. A maioria dos agressores apresentavam transtornos mentais não diagnosticados ou sem o devido acompanhamento. Esses quadros podem se desenvolver ou agravar pela dificuldade de relacionamento nas escolas, incluindo o bullying, além de situações prolongadas de exposição a processos violentos em casa.
A coordenadora da pesquisa da Unicamp, Telma Vinha, observa que muitos dos autores dos ataques têm como objetivo a busca por notoriedade pública e reconhecimento da comunidade virtual. Eles planejam fazer o maior número de vítimas, pois se sentem parte de um movimento, mesmo agindo de forma isolada. Telma ressalta que o Brasil não está vivendo um fenômeno isolado, uma vez que casos similares também estão sendo registrados em outros países, como nos Estados Unidos.
Embora o Brasil tenha sido palco de diversos episódios de violência em escolas e creches, não há uma explicação clara sobre por que ocorreram em determinados locais e não em outros. Os ataques foram registrados em 19 escolas públicas e em quatro particulares, e as instituições possuem perfis distintos, segundo Telma. Ela ressalta que não há razão para responsabilizá-las, e muitos professores já se perguntaram se fizeram algo de errado.
O Botão de Pânico
Diante desse cenário de violência nas escolas, o prefeito de Paulínia, Du Cazelatto, decidiu instalar em todas as unidades escolares o Botão do Pânico.
Nós do Guia Paulínia pesquisamos, e os botões de pânico em escolas são comuns em muitos países, e muitas escolas os adotaram justamente para proteger seus alunos. No entanto, esses botões de pânico, não são eficazes ao impedir um massacre na escola. Em muitos casos, estes incidentes ocorrem tão rapidamente que não há tempo suficiente para os professores ou alunos o usarem e esperar pela chegada da ajuda, fazendo com que se transforme, infelizmente, em um botão de chamada de ambulâncias.
Além disso, os botões de pânico podem dar uma falsa sensação de segurança, o que pode levar ao aumento no número de incidentes violentos. A sensação de que há uma solução rápida e fácil para qualquer ameaça pode fazer com que os alunos e professores se tornem complacentes em relação à segurança da escola. Portanto, a implementação de medidas preventivas, como a identificação precoce de potenciais ameaças, é essencial para garantir a segurança da escola e de seus alunos, a boa gestão pública continua sendo a melhor prevenção para este tipo de ameaça.
Os ataques em escolas são um reflexo da violência presente na sociedade brasileira, que tem índices elevados de homicídios e violência doméstica. É necessário um esforço conjunto de todas as instituições e da sociedade em geral para enfrentar esse problema, com políticas públicas efetivas que busquem prevenir e punir a violência, bem como garantir o acesso a serviços de saúde mental para aqueles que precisam. A violência não pode ser naturalizada ou tratada como algo inevitável, mas sim combatida com determinação e comprometimento.

