Avanço do setor será impulsionado pelas construtoras formais, enquanto custos elevados, falta de mão de obra e dificuldades no crédito imobiliário continuam como desafios.
O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil brasileira necessitará registrar crescimento superior a 0,5% em 2026, mas sem alcançar 1%, segundo previsão apresentada através do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP). O que se espera é de um desempenho melhor que o observado em 2025, com contribuição principalmente das empresas que atuam no mercado formal.
A estimativa foi discutida durante a Reunião de Conjuntura Econômica da entidade, coordenada por Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia e presidente executivo do SindusCon-SP. Na ocasião, Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), apresentou dados sobre o comportamento recente do setor.
Conforme a economista, a construção civil acumulou alta de 1,1% no primeiro semestre de 2026 no Brasil. No Estado de São Paulo, entretanto, o indicador apresentou retração de 0,4% no mesmo momento.
O mercado de trabalho aponta uma trajetória mais favorável para as empresas formalizadas. Entre janeiro e agosto deste ano, na comparação com igual intervalo de 2025, o emprego com carteira assinada na construção cresceu 3% no País, 2,4% no Estado de São Paulo e 3,3% na capital paulista.
Infraestrutura e habitação apresentam indicações de recuperação
A sondagem realizada através do FGV Ibre indica melhora na percepção dos empresários do setor de infraestrutura. No segmento de edificações residenciais, também existe indicações de retomada da atividade depois de um momento de retração, com perspectivas mais positivas entre as empresas que trabalham com o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Apesar dos indicadores favoráveis em algumas regiões, a construção civil continua enfrentando obstáculos para ampliar sua atividade. A falta de trabalhadores se mantém entre as principais limitações apontadas pelas empresas, enquanto os custos do setor acumulam alta superior a 7% em 12 meses.
Crédito imobiliário preocupa segmento de renda média
Outro momento de atenção é a disponibilidade de recursos para o financiamento habitacional fora do Minha Casa, Minha Vida. Ana Maria Castelo alertou para a redução dos recursos que venham da poupança, tradicional fonte de financiamento imobiliário, e para a queda no volume de crédito concedido com recursos livres.
Na avaliação apresentada durante o encontro, as mudanças nas regras de financiamento podem favorecer operações destinadas a imóveis de valor superior a R$ 1 milhão. Esse movimento, apesar disso, não necessariamente amplia o acesso ao crédito para famílias de renda média que procuram imóveis abaixo desse patamar e não se enquadram no programa habitacional federal.
Mercado financeiro acompanha cenário econômico
A reunião também abordou as perspectivas para a economia brasileira. O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Robson Gonçalves, analisou o comportamento dos mercados financeiros diante das expectativas dos agentes econômicos e do cenário político.
Segundo ele, depois de o primeiro turno das eleições, houve valorização do mercado acionário, em particular das empresas imobiliárias, além de queda do dólar. Esses movimentos foram associados à redução da percepção de risco futuro e ao aumento do ingresso de capital estrangeiro. Subsequentemente, o mercado passou a mostrar maior cautela.
As previsões do Boletim Focus de 13 de outubro indicavam expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) até o final do ano. Para a inflação, a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 era de 5,22%, enquanto a previsão para 2027 permanecia em 4,30%.
As previsões para o câmbio e para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 e 2027 não apresentavam mudanças significativas naquela edição do boletim.
O cenário indica que a construção civil necessitará encerrar 2026 com expansão moderada. Embora o emprego formal e a recuperação de determinados segmentos sustentem as perspectivas de crescimento, os custos elevados, a escassez de mão de obra e as restrições ao crédito habitacional seguem limitando o ritmo de avanço do setor.
Com informações de Noticias de Paulinia

