Estudo aponta impacto na mão de obra, no preço dos imóveis e reforça preocupação do setor da construção com as mudanças previstas.
Representantes da construção civil reunidos através do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) discutiram os principais desafios que podem impactar o setor nos próximos anos, com destaque para a plausível adoção da jornada de trabalho 5×2 e a implementação da Reforma Tributária. Os temas foram debatidos durante a Reunião de Conjuntura realizada em 10 de junho, conduzida através do vice-presidente de Economia da entidade, Eduardo Zaidan, com a participação do presidente Yorki Estefan.
Na abertura do encontro, a coordenadora de Projetos da Construção do Ibre/FGV, Ana Maria Castelo, apresentou um panorama positivo da atividade no primeiro trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB) da construção cresceu 1,3%, impulsionado principalmente pelas reformas residenciais e através do avanço das obras de infraestrutura.
O mercado de trabalho também apresentou desempenho favorável, com geração de empregos acima do registrado no mesmo momento do ano anterior. Em São Paulo, o segmento imobiliário foi impulsionado pelas vendas de unidades enquadradas no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Apesar do cenário de crescimento, Ana Maria destacou que persistem desafios importantes, como o elevado custo dos materiais, a alta da mão de obra e a dificuldade das empresas em encontrar trabalhadores instruidos. Ela também chamou atenção para a preocupação em relação à disponibilidade futura de recursos da poupança para financiar a compra de imóveis.
Reforma Tributária preocupa empresas
Outro momento de destaque foi o estágio de preparação das construtoras para a Reforma Tributária. Segundo levantamento da Sondagem da Construção do FGV/Ibre, somente 18,6% das empresas afirmam ter feito adaptações significativas para atender às novas regras, enquanto 45% informaram ter iniciado somente algumas mudanças.
Entre as principais dificuldades apontadas estão a complexidade da nova legislação e a falta de definição sobre regulamentações e alíquotas. Além do que, quase metade das empresas consultadas acredita que a reforma resultará em aumento dos custos da construção.
Jornada 5×2 pode elevar custos das obras
O professor da FGV, Robson Gonçalves, apresentou um estudo elaborado para a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) que estima impactos relevantes caso seja aprovada a redução da jornada de trabalho com manutenção dos salários.
Pelas previsões, o custo da mão de obra conseguirá subir por volta de 17%, enquanto o custo total das obras teria aumento de aproximadamente 7%. Como consequência, os preços dos imóveis poderiam registrar alta próxima de 3,9%.
De acordo com o estudo, para compensar esse impacto seria necessário elevar a produtividade do setor em torno de 17%, processo que exigiria um momento de adaptação das empresas.
Gonçalves também analisou a PEC 12/2026, que indica maior flexibilização da jornada de trabalho através de acordos individuais e coletivos. Na avaliação do economista, o texto apresenta possíveis indagações constitucionais e tende a confrontar forte judicialização caso seja aprovado.
Setor pede mais tempo para adaptação
Durante o encontro, o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, afirmou que a construção civil ainda não está preparada para absorver as mudanças previstas através da Reforma Tributária e defendeu o adiamento de sua entrada em vigor.
Ele também alertou que uma eventual redução da jornada conseguirá ampliar o período de execução das obras e elevar ainda mais os custos do setor. O vice-presidente Eduardo Zaidan reforçou que tanto a nova legislação tributária quanto as mudanças nas regras trabalhistas representam fatores que podem pressionar o custo final da construção nos próximos anos.
Com informações de Noticias de Paulinia

