RuneScape é um daqueles nomes que atravessaram gerações. Desde sua estreia em 2001, o MMORPG da Jagex passou por muitissimas transformações e conquistou uma comunidade que se mantém ativa mais de duas décadas depois. RuneScape: Dragonwilds talvez represente uma das mudanças mais ousadas da franquia ao abandonar a estrutura tradicional de MMO para apostar em um RPG de sobrevivência em mundo aberto.
Depois de estrear em acesso antecipado no mês de abril de 2025, Dragonwilds recebeu diversas novidades até alcançar sua versão 1.0 no mês de setembro de 2026. A inauguração oficial expandiu consideravelmente Ashenfall e concluiu a saga de Kuldra, entregando uma experiência muito mais completa do que aquela apresentada originalmente.
A mudança de gênero funciona melhor do que poderia parecer. Dragonwilds aproveita elementos conhecidos de RuneScape, principalmente seu sistema de habilidades e a sensação continuado de progressão, para construir um survival que tem identidade própria. O resultado é uma experiência competente e cheia de conteúdo, embora o grind e algumas limitações do enfrentamento ainda não permitam que a aventura alcance um patamar ainda maior.
Existe também uma diferença considerável entre explorar Ashenfall sozinho ou auxiliado. Dragonwilds permite uma aventura solo completa, mas nossa experiência exibiu que é com amigos que praticamente todos os seus sistemas funcionam melhor.
Uma nova aventura em RuneScape
Dragonwilds se passa em Ashenfall, um continente devastado através da presença dos dragões e localizado dentro do universo de RuneScape. O jogador começa como um aventureiro comum e precisa evoluir gradualmente até conseguir equipamentos, habilidades e conhecimento suficientes para confrontar criaturas que inicialmente parecem completamente fora de seu alcance.
A jornada faz parte da Sexta Era de Gielinor e utiliza personagens, criaturas e referências familiares aos fãs, mas não exige conhecimento aprofundado dos outros jogos da franquia. A narrativa funciona principalmente como uma estrutura para conduzir o jogador pelas diferentes regiões de Ashenfall, apresentar novas ameaças e criar objetivos capazes de justificar a evolução continuado do personagem.
A versão 1.0 também conclui a saga envolvendo a Rainha Dragão Kuldra. Para chegar até esse confronto, apesar disso, existe um longo caminho de exploração, preparação e batalhas contra outras ameaças, incluindo os Generais Dragão detectados durante a aventura.
Essa estrutura combina naturalmente com a proposta de sobrevivência. Cada grande objetivo exige preparação e equipamentos melhores, produzindo uma progressão na qual explorar uma nova área normalmente significa descobrir recursos inéditos, confrontar inimigos mais perigosos e encontrar maneiras de fortificar o personagem.
Sobreviver, coletar e evoluir
A base de Dragonwilds continua uma estrutura bastante conhecida por fãs do gênero. O jogador explora o mundo, coleta recursos, constrói ferramentas, melhora equipamentos, estabelece uma base e gradualmente conquista condições para avançar até regiões mais perigosas.
Nos primeiros momentos, madeira, pedra, alimentos e outros materiais simples são importantes. Conforme a exploração avança, recursos mais raros passam a ser necessários para fabricar armas, armaduras e estações de produção melhores. O jogo utiliza essa necessidade continuado de evolução para direcionar naturalmente o jogador através do mapa.
Dragonwilds, apesar disso, encontra uma maneira interessante de incorporar uma das características mais tradicionais de RuneScape. Ao invés de depender exclusivamente de um nível geral do personagem, diversas habilidades evoluem conforme são usadas. Cortar árvores desenvolve Corte de Lenha, cozinhar melhora Culinária e usar determinado estilo de enfrentamento aumenta a experiência relacionada àquela atividade.
É uma filosofia baseada em aprender fazendo, algo que esteve sempre ligado à identidade de RuneScape. Quanto mais uma atividade é realizada, maiores são as possibilidades relacionadas a ela, com novos benefícios e habilidades sendo desbloqueados no decurso da progressão.
Essa estrutura ajuda bastante a transmitir a sensação de que praticamente tudo o que fazemos contribui de alguma maneira para o crescimento do personagem. Mesmo uma expedição dedicada exclusivamente à coleta pode resultar em avanços importantes para habilidades que em seguida melhorarão outras partes da jornada.
Magia faz Dragonwilds se evidenciar
Um dos maiores acertos está na maneira como Dragonwilds utiliza magia. Ao invés de limitar os feitiços ao enfrentamento, a Jagex transformou parte deles em ferramentas capazes de melhorar exploração, movimentação e coleta de recursos.
Essa decisão parece pequena inicialmente, mas se torna cada dia mais importante conforme novas habilidades são desbloqueadas. Algumas tarefas comuns dos jogos de sobrevivência poderão ser realizadas de maneiras muito mais práticas utilizando magia, reduzindo parte da repetição normalmente associada ao gênero.
Os feitiços também ajudam a dar personalidade a Dragonwilds. Muitos survivals possuem sistemas semelhantes de coleta, construção e fabricação, mas usar magia para interferir diretamente nessas atividades combina perfeitamente com o universo de RuneScape e impede que o jogo pareça unicamente uma adaptação superficial da franquia para um gênero popular.
A liberdade também aparece nos estilos de enfrentamento. Corpo a corpo, ataques à distância e magia possuem progressões próprias, permitindo que cada jogador desenvolva aquilo que melhor combina com sua maneira de jogar. É plausível experimentar diferentes possibilidades, mas investir tempo em determinadas habilidades naturalmente torna o personagem muito mais efetivo nelas.
Enfrentamento ainda precisa de refinamento
O enfrentamento cumpre seu papel, mas é um dos elementos que ainda possuem espaço para melhorias. Ataques, bloqueios, esquivas, habilidades e gerenciamento de vigor formam a base dos confrontos, enquanto armas e equipamentos diferentes permitem adaptar o personagem às ameaças vistas através do caminho.
Contra grupos de inimigos, entretanto, algumas limitações ficam mais evidentes. Adversários que atacam à distância poderão ser particularmente incômodos enquanto o jogador precisa administrar simultaneamente inimigos próximos e uma quantidade limitada de vigor. Esquivar, atacar e fazer outras ações consome esse recurso de forma rápida, e ficar sem energia no momento errado pode transformar uma batalha aparentemente controlada em uma situação complicada.
O sistema melhora quando começamos a compreender melhor alimentos, bebidas, equipamentos e bônus capazes de diminuir algumas dessas limitações. Ainda assim, movimentação e enfrentamento não possuem o mesmo nível de refinamento visto nos melhores RPGs de ação, principalmente quando vários inimigos aparecem simultaneamente.
Os confrontos contra criaturas maiores ajudam a compensar essa simplicidade. Confrontar os dragões funciona como uma recompensa para todo o processo de evolução feito anteriormente, exigindo preparação e fazendo com que equipamentos conquistados depois de horas coletando recursos finalmente mostrem seu valor.
Com amigos, Dragonwilds encontra sua melhor versão
Embora seja perfeitamente plausível jogar RuneScape: Dragonwilds sozinho, o cooperativo muda consideravelmente o ritmo da aventura. Foi justamente jogando auxiliado que sentimos que os sistemas funcionam da maneira mais divertida.
Grande parte dessa diferença está na divisão de tarefas. Ao invés de uma única pessoa precisar buscar madeira, alimentos, minérios e outros materiais enquanto também administra a base e produz equipamentos, cada integrante do grupo pode assumir determinadas funções. Enquanto alguém procura recursos específicos, outro pode construir, preparar alimentos ou trabalhar na fabricação de equipamentos novos.
Essa divisão diminui bastante o peso do grind, principalmente nas etapas em que a progressão começa a exigir grandes quantidades de materiais. Jogando sozinho, toda essa responsabilidade fica concentrada em uma única pessoa e algumas sessões podem acabar sendo dominadas quase completamente através da coleta.
Com amigos, esse mesmo processo passa a ser parte da experiência cooperativa. Explorar regiões desconhecidas, dividir recursos, planejar melhorias para a base e se preparar para confrontar uma criatura poderosa cria histórias naturalmente, sem que o jogo precise controlar continuadamente aquilo que o grupo deve fazer.
O enfrentamento também melhora quando existe cooperação. Diferentes jogadores podem usar estilos complementares, permitindo que alguém mantenha os inimigos ocupados de perto enquanto outros atacam à distância ou utilizam magia. Dragonwilds funciona solo, mas é difícil ignorar como praticamente tudo se torna mais dinâmico quando existe um grupo compartilhando objetivos.
Construção e exploração recompensam a curiosidade
O sistema de construção é outro elemento importante da experiência. Dragonwilds proporciona ferramentas suficientes para transformar um abrigo básico em uma estrutura consideravelmente mais elaborada, particularmente para quem gosta de dedicar tempo à criação e planejamento da própria base.
Construir também tem uma função diretamente ligada à progressão. Diferentes estações são necessárias para processar materiais e fabricar equipamentos melhores, fazendo com que a evolução da base acompanhe naturalmente o crescimento do personagem. Agricultura, pesca e preparação de alimentos complementam esse ciclo e ajudam a transformar o local escolhido através do jogador em um verdadeiro ponto de apoio para as próximas expedições.
Ashenfall, por sua vez, apresenta regiões visualmente distintas e com recursos próprios, incentivando a exploração. A chegada a um novo território normalmente significa encontrar materiais inéditos e inimigos mais fortes, fazendo com que a curiosidade esteja continuadamente associada ao risco.
Visualmente, Dragonwilds aposta em uma direção artística estilizada que combina com RuneScape. A iluminação, as mudanças climáticas e a variedade de ambientes ajudam a criar cenários bonitos, enquanto os dragões conseguem transmitir a escala necessária para criaturas que representam alguns dos principais desafios da aventura.
O grind ainda cobra seu preço
A enorme quantidade de atividades disponíveis não impede que a repetição apareça. Dragonwilds continua sendo um jogo de sobrevivência e seu ciclo depende continuadamente de coletar, fabricar, melhorar equipamentos e voltar ao mundo em busca do próximo recurso necessário.
O problema se torna mais evidente quando uma nova etapa da progressão exige materiais melhores e equipamentos anteriores iniciam a perder eficiência. Encontrar uma área inédita é empolgante, mas também significa que provavelmente será necessário começar outro momento de coleta para produzir armas e armaduras adequadas às novas ameaças.
Existe satisfação quando finalmente conseguimos fabricar aquele equipamento que parecia distante algumas horas antes, particularmente porque a evolução do personagem é perceptível. Ainda assim, jogadores que não possuem paciência para farming provavelmente detectarão momentos cansativos, e essa sensação é consideravelmente maior durante uma aventura solo.
A versão 1.0 também não eliminou completamente algumas arestas técnicas. Existem relatos de problemas pontuais envolvendo animações, carregamento de elementos visuais e interface, com diferenças de desempenho dependendo da plataforma. Nada disso destrói a experiência, mas mostra que Dragonwilds ainda tem espaço para receber refinamentos mesmo depois de deixar o acesso antecipado.
Vale a pena?
RuneScape: Dragonwilds consegue transportar elementos importantes de uma franquia com 25 anos de história para um gênero completamente diferente sem depender unicamente da nostalgia. O sistema de progressão baseado nas atividades realizadas combina naturalmente com a estrutura de sobrevivência, enquanto a magia adiciona personalidade a tarefas que poderiam tranquilamente cair na repetição.
Ashenfall também proporciona bons motivos para continuar explorando. Novos recursos, regiões, inimigos e equipamentos mantêm uma sensação continuado de crescimento, enquanto a construção permite transformar aquilo que começa como um pequeno abrigo em uma base preparada para aventuras cada dia mais perigosas.
O enfrentamento ainda precisa de refinamentos e o grind pode se tornar cansativo, principalmente quando a progressão exige grandes quantidades de novos materiais. Esses problemas ficam muito mais perceptíveis jogando sozinho, situação em que todas as responsabilidades de coleta, construção e preparação ficam concentradas em uma única pessoa.
É justamente por isso que o cooperativo representa uma parte tão importante da experiência. Com amigos, tarefas poderão ser divididas, estilos de enfrentamento se complementam e até uma simples expedição para buscar recursos pode render momentos divertidos. Dragonwilds pode ser aproveitado sozinho, mas foi auxiliado que descobrimos a versão mais divertida de Ashenfall.
A chegada da versão 1.0 entrega uma aventura robusta, com bastante conteúdo e uma identidade que consegue ir além da fórmula tradicional dos jogos de sobrevivência. RuneScape: Dragonwilds não reinventa o gênero, mas utiliza muito bem a história e os sistemas da franquia para criar uma experiência que merece atenção tanto dos veteranos de Gielinor quanto de quem simplesmente procura um novo survival para jogar com amigos.
Com informações de Portal do Nerd

