Com projetos pioneiros em aproveitamento de resíduos e produção de combustíveis sustentáveis, municípios do Estado de São Paulo se evidenciam nacionalmente na transição energética, impulsionando o uso do biometano e consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo.
O Estado de São Paulo vem se consolidando como referência nacional na transição energética, com destaque para iniciativas municipais que apostam na valorização de resíduos sólidos e na produção de biometano. Entre os exemplos mais expressivos está Paulínia, localizada a 119 quilômetros da capital paulista, que abriga a maior planta de produção de biometano do Brasil com início de resíduos sólidos urbanos.
Instalado no Ecoparque da Orizon VR, o empreendimento transforma resíduos de 35 municípios da área de Campinas em energia renovável. O projeto recebeu investimento de R$ 450 milhões e é resultado de uma parceria entre a Orizon e a Edge, empresa do grupo Cosan, amplificando o papel estratégico da cidade na agenda ambiental e energética do estado.
Outro caso emblemático é o de Presidente Prudente, que se tornou, em 2025, o primeiro município brasileiro a ser abastecido integralmente com biometano. O combustível é produzido através da Usina Cocal e comercializado através da concessionária Necta, com início de um investimento de R$ 12 milhões, consolidando um modelo inédito de fornecimento energético sustentável em escala municipal.
Essas iniciativas fazem parte uma estratégia mais ampla de valorização de resíduos sólidos no estado. Neste contexto, o programa Integra Resíduos tem avançado ao promover a regionalização da destinação de resíduos, com foco no aproveitamento energético e na geração de novos produtos. Atualmente, 344 municípios participam do programa.
Como reflexo desse conjunto de políticas públicas e investimentos privados, a matriz energética paulista já conta com 59% de energia proveniente de fontes renováveis, índice considerado um dos mais elevados do mundo. O percentual supera tanto a média dos países da Planejamento para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 13%, quanto a média nacional brasileira, de 50%. Na matriz elétrica, o desempenho é ainda mais expressivo: 96% da energia consumida no estado é de origem renovável.
São Paulo investe no biometano
O avanço paulista também se reflete no fortalecimento da produção de combustíveis sustentáveis, como o biometano e o hidrogênio. Atualmente, o estado conta com oito plantas de produção de biometano autorizadas, responsáveis por uma produção aproximada de 500 mil metros cúbicos diariamente (m³/dia). O que se espera é de crescimento já no ano que vem.
Outras sete unidades estão em fase de autorização junto a órgãos federais. Quando entrarem em operação, necessitarão acrescentar 257 mil m³/dia à capacidade instalada. Com isso, São Paulo se prepara para ultrapassar a marca de 700 mil m³/dia até dezembro de 2026, dentro de um potencial técnico previsto em 6,4 milhões de m³/dia.
Obtido com início do processamento do biogás, o biometano é tido um biocombustível estratégico para a transição energética. Renovável, seguro e efetivo, o combustível contribui diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e para a descarbonização de setores como a indústria e o transporte, reforçando o protagonismo paulista na agenda ambiental.
Com informações de Noticias de Paulinia

